//vim de uma criação extremamente machista// 

Os homens, provedores, cruzam os braços diante das mais simples funções humanas. Limpar a casa, arrumar suas próprias camas, cozinhar, lavar os pratos, colocar água nas plantas, não trocar ou embalar um bebê, fazer compras no supermercado. O que fica nas suas atribuições é sair de casa pela manhã, trabalhar para garantir o sustento da família, voltar à noite e, no dia seguinte, recomeçar a jornada. Esta narrativa acompanha muitas gerações até os dias atuais, onde o que move a economia é a indústria da construção civil. Eu fui educado nessa atmosfera. E essa paisagem se tornou comum aos meus olhos. Não havia questionamento porque, me parecia, isto era o natural. Era um aspecto cultural definido. Um símbolo.

Esse foi meu caminho até que fui interrompido pela chegada
 do José, meu filho.

Havia um novo horizonte nascendo junto com o Zé, bem diante dos meus olhos, e eu não poderia admitir que o seu trajeto fosse este mesmo que havia me guiado até então. Havia agora um outro homem dentro da minha casa, e com a sua chegada havia a possibilidade de pensar na perspectiva de mudar o rumo das coisas — para ele, para mim. Eu, que jamais havia entendido o papel da minha mãe na minha vida, passei a enxergá-la por outro viés. Minha mãe, que praticamente me criou sozinha, desempenhava todas as funções possíveis. Trabalhava o tempo inteiro, mas também cuidava de mim o tempo inteiro, cozinhava, dava afeto, planejava (quando dava), curava minhas pequenas dores de infância e adolescência. Eu, que jamais havia entendido que uma parceira poderia ter um papel político e ético tão poderoso, encontrei Vanessa, minha esposa. E ouvia sua voz ecoar casa adentro, mundo afora, defendendo o espaço das mulheres, principalmente as mães. José, meu filho, não poderia ser de outro caminho.

Entendi a minha missão como pai porque meu filho me fez desaprender a ser homem. Através dos olhos do José, entendi que é impossível resolver as questões de gênero sem mudar a mentalidade dos nossos meninos. E quando entrego afeto, amor, carinho, quando faço meu filho entender a minha presença constante e intensa, a partilha das tarefas domésticas entre todos da família, quando ele percebe que o normal é o respeito às vozes das mulheres que nos cercam, o respeito aos corpos destas mesmas mulheres, sinto que ele passa a observar o mundo de um lugar novo. De onde não vim. De onde boa parte da minha geração não veio. Mas para onde precisamos ir, como José parece seguir.

José persista nesse rumo. Eu sinto que ele vai ser bom, repletos de novos significados, desafios e companhias... 

Ps: {ontem no aniversário do Pepê fiquei te observando e vi justamente isso... fiquei orgulhoso e com o olhos marejados}

Juliano Fabricio
um pai em conversão

0 Comentários - AQUI:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comentem pelo Facebook

Paninho do AMOR

Click e Confiram D+

Segue ai...

Curta no Facebook

Amigos do Blog

Postagens populares

Twittes

Google+ Followers

Blog que escrevo

Pesquisar este blog

Siga-me por Email

Marcadores

@provérbios (27) #pronto falei (306) #Provocações (283) #Word (55) Administração (58) Amor (299) Arte (270) Atitude (561) Bíblia (99) Boas notícias (118) Contra Cultura (165) cristianismo inteligente (546) Curiosidade (106) Dicas (49) Estudo (83) Familia (78) Fundamentos (313) GRAÇA (140) humor (87) Igreja (144) imagem que vale post (33) Juventude (61) Livros (17) Masculinidade (44) Missão integral (103) modelos (171) Nooma (8) Opinião (313) Oração (38) Polêmica (94) Politica (53) Protesto (138) Questionamentos (492) Recomendo (131) Relacionamento (290) relevante (335) Religião (69) Solidariedade (58) Teologia (169) Videos (386)

Blog Arquivos

Minha lista de blogs

Juliano Fabricio Ferreira. Tecnologia do Blogger.

Visão Mundial - Conheça

Visitantes

Contato:

Juliano Fabricio Ferreira

jucafe2@yahoo.com.br

Uberlândia - MG - 34 99149-5443

Networkedblogs - Siga

Recomendações